TRATAMENTOS PARA
TRANSTORNOS PSIQUIATRICOS RESISTENTES AO TRATAMENTO
Embora a psiquiatria tenha avançado muito nos últimos anos na compreensão e no tratamento dos transtornos mentais, uma grande variedade de pacientes não responde aos tratamentos farmacológicos e/ou psicoterápicos de primeira linha, mesmo quando o diagnóstico inicial é revisado e confirmado nas consultas subsequentes.
Esses pacientes, em geral, já utilizaram duas ou mais aulas de medicamentos, em doses otimizadas por tempo adequado, sem remissão de sintomas ou resposta satisfatória. Eles apresentam “resistência ou refratariedade” ao tratamento convencional, com prejuízos impactantes nos âmbitos ocupacional, social e familiar. São casos que geram desafios à compreensão clínica e ao tratamento por parte de psiquiatras e outros profissionais da saúde mental.
Para esses pacientes, existem alternativas de tratamento cujo objetivo é a melhora ou remissão dos sintomas e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida. Alguns exemplos de técnicas de tratamento incluem: Eletroconvulsoterapia, Estimulação Magnética Transcraniana de Repetição e Aplicação de Escetamina, entre outros.

ELETROCONVULSOTERAPIA
A Eletroconvulsoterapia (ECT) é apenas uma das formas de uso da eletricidade na medicina e continua sendo uma das ferramentas mais importantes do arsenal terapêutico da psiquiatria moderna, ainda que subutilizada e cercada de estigmas e polêmicas. Anteriormente, havia poucas opções de tratamento medicamentoso, e a ECT era utilizada para salvar vidas.
Apesar de todos os avanços nas últimas décadas em psicofarmacologia
e em novas técnicas de neuromodulação,, a ECT ainda é o tratamento mais eficaz existente para transtornos de humor resistentes e quadros psicóticos graves.
Trata-se de uma técnica segura que se adapta aos avanços da medicina, causando maior conforto ao paciente e à diminuição de efeitos adversos.

Como é o tratamento de eletroconvulsoterapia?
É realizado em ambiente hospitalar, com anestesia geral de curta duração, monitoramento de sinais específicos em tempo integral e parâmetros eletroencefalográficos.
Após uma sedação, o paciente recebe o estímulo elétrico na região bitemporal por alguns segundos, com a finalidade de gerar uma convulsão de aproximadamente 15 segundos.
O procedimento é rápido e indolor. Ao acordar, o paciente está liberado para casa.
O protocolo consiste em 12 sessões, realizadas 3 vezes por semana, ao longo de 4 semanas.
Espera-se uma resposta mais robusta a partir da 6ª-8ª sessão. Sessões de manutenção podem ser necessárias.
É indicado para quais transtornos mentais?
As principais determinações da ECT são: risco importante de suicídio; depressão com características psicóticas; depressão resistente ao tratamento; intolerância ao tratamento farmacológico; sintomas catatônicos; depressão durante a gestação; depressão associada à doença de Parkinson; mania; estado misto do transtorno bipolar; esquizofrenia refratária; e síndrome neuroléptica maligna.
Na literatura médica, são relatadas chances de resposta entre 50% e 90%, dependendo do quadro psiquiátrico tratado.
Como a eletroconvulsoterapia age no organismo?
Os mecanismos de ação da ECT não são totalmente esclarecidos. Sabe-se que ocorre neurogênese (proliferação dos hormônios dendríticos), neuroplasticidade (aumento das fibras musgoides), neuroproteção (robustez do citoesqueleto) e indução genética, responsável pelo aumento do BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro) e do FGF-2 (fator de crescimento de fibroblastos). Também há diminuição na indução do gene blc-Xs (responsável pela morte ou apoptose neuronal) e diminuição da concentração de marcadores de degeneração neuronal (proteína tau, neurofilamentos, proteína S-100 beta) no líquido de pacientes submetidos à ECT.
Quais as complicações que a eletroconvulsoterapia pode causar?
As complicações são raras e não há evidências de que as aplicações possam causar danos neuronais ou lesões graves. Seus efeitos colaterais mais comuns são náuseas, cefaleia e mialgia. Em geral, essas queixas são leves, autolimitadas e facilmente manejáveis com medicamentos sintomáticos. O comprometimento cognitivo (desorientação temporo-espacial ao despertar da anestesia e prejuízo temporário de memória) resultante da ECT costuma melhorar em algumas semanas após o término do tratamento.
Quais as contraindicações da eletroconvulsoterapia?
As contraindicações para a realização de ECT incluem: tumores expansivos que resultam em aumento da pressão intracraniana e edema cerebral; infarto agudo do miocárdio recente; acidente vascular cerebral hemorrágico ou isquêmico recente; e aneurismas cerebrais não tratados.
Somos pioneiros nesse tratamento em Londrina – PR e região. Implantado desde 2014, o procedimento nesta instituição segue as recomendações da Associação Brasileira de Psiquiatria, as normatizações do Conselho Federal de Medicina e
adota as boas práticas internacionais.
INFUSÃO DE ESCETAMINA
Desde os anos 2000, a cetamina e a escetamina vêm sendo estudadas no tratamento de transtornos mentais, como depressão resistente ao tratamento, depressão no transtorno bipolar, ideação suicida, entre outras condições.
É indicado para quais transtornos mentais?
A cetamina é indicada para quadros de depressão resistentes ao tratamento. Estudos apontam a eficácia e a segurança do uso da cetamina e escetamina, mostrando grande potencial na redução do risco suicida, além de um efeito rápido na melhora dos sintomas depressivos em pacientes resistentes à terapia convencional.
Considerada uma abordagem inovadora e eficaz para depressões graves, a maior parte desses estudos utilizou a infusão de cetamina ou escetamina nas formas intravenosa (IV) e subcutânea (SC).
Como a Escetamina age no organismo?
Mecanismos de ação: Atua ativando receptores opioides (analgesia e efeito antidepressivo), antagonizando receptores de glutamato NMDA (efeito antidepressivo) e também ativando receptores AMPA por meio de um de seus próprios metabólitos – 2R, 6R-Hidroxinorcetamina – (efeito antidepressivo).

Como é a realização do tratamento?
No Brasil, existem duas apresentações do cloridrato de escetamina: spray nasal e solução injetável. Devido ao elevado custo do spray nasal, o uso da escetamina em solução injetável é permitido para o tratamento de transtornos mentais, porém é considerado off label ("não consta em bula"). Deve ser reservado para situações em que haja falha nos tratamentos recomendados e estabelecidos, ou respostas insuficientes. Para realizar o tratamento, é imprescindível a assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido pelo paciente ou seu representante legal.
A infusão endovenosa de escetamina é realizada no centro cirúrgico, em ambiente calmo, com o paciente em jejum e monitorado em tempo integral, sob a supervisão de psiquiatra e anestesista. É necessário um acesso venoso para a realização da infusão da medicação em bomba, com duração de aproximadamente 40-60 minutos. Após a infusão, o paciente é liberado para casa com acompanhante.
Quais os efeitos colaterais da Escetamina?
Embora apresente alguns efeitos colaterais transitórios, como dissociação, elevação da pressão arterial, náusea, tontura e turvação visual, a escetamina costuma ser bem tolerada e aceita pelos pacientes.
Quais as contraindicações da Escetamina?
Contraindicações: gravidez, hipertensão descompensada, doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial coronariana, insuficiência renal, obesidade mórbida, hipersensibilidade à escetamina ou seus componentes, história de abuso ou dependência de escetamina e porfiria.
Somos pioneiros nesse tratamento em Londrina – PR e região. Implantado desde 2023, o procedimento nesta instituição segue as recomendações e normatizações do Conselho Federal de Medicina, sendo realizado em ambiente hospitalar, com o paciente monitorado em tempo integral sob a supervisão de psiquiatra e anestesista.
ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSCRANIANA DE REPETIÇÃO (EMTR):
A Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva (EMTr) é uma técnica de neuromodulação não invasiva que utiliza estímulos magnéticos excitatórios ou inibitórios para restabelecer o funcionamento cerebral. Ela foi aprovada pelo FDA em 2008 para o tratamento da depressão refratária e, em 2012, recebeu aprovação do Conselho Federal de Medicina (CFM) no Brasil. A EMTr é utilizada como uma ferramenta importante no tratamento psiquiátrico moderno, especialmente quando os tratamentos
convencionais não são eficazes.
Para quais transtornos mentais a EMTr é indicada?
A principal indicação da EMTr na psiquiatria é para o tratamento da depressão unipolar. No entanto, também é indicada para depressão bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), dor crônica e outras condições psiquiátricas graves. A EMTr é especialmente útil quando os antidepressivos ou outros tratamentos convencionais não produzem os resultados desejados ou causam efeitos colaterais intoleráveis.

Como a EMTr atua no organismo?
A EMTr utiliza uma bobina magnética que gera pulsos magnéticos sobre a cabeça do paciente. Esses pulsos promovem mudanças no cérebro, resultando em neuroplasticidade, o que significa a criação de novas conexões neurais ou a reorganização de redes já existentes no cérebro. O procedimento é indolor, não invasivo e realizado enquanto o paciente está acordado. A técnica visa restaurar o equilíbrio cerebral, especialmente em áreas afetadas por transtornos de humor.
Como o tratamento com EMTr é realizado?
O tratamento com EMTr é realizado com o paciente acordado e envolve o uso de uma bobina magnética posicionada sobre a cabeça, enquanto o paciente usa uma touca de tecido. O procedimento dura entre 5 e 20 minutos, dependendo do caso. Durante a sessão, a bobina emite pulsos magnéticos que promovem alterações nas redes neurais do cérebro. O tratamento é indolor e visa reestruturar o funcionamento cerebral. Em média, são necessárias 20 sessões na primeira fase, com resultados esperados a partir da 10ª sessão. Sessões de manutenção podem ser necessárias, dependendo da resposta do paciente.
Quais são os possíveis efeitos colaterais da EMTr?
Os efeitos colaterais mais comuns da EMTr incluem desconforto no couro cabeludo e cefaleia. Esses efeitos são transitórios e geralmente leves, sendo facilmente tratados com analgésicos comuns. Para evitar possíveis zumbidos ou perda auditiva, recomenda-se o uso de protetores auriculares durante o procedimento. No geral, os efeitos colaterais são considerados leves e manejáveis.
Quais são as contraindicações para a EMTr?
A única contraindicação absoluta para o uso da EMTr é a presença de materiais metálicos ou eletrônicos próximos à bobina, como implantes cocleares. Isso ocorre porque os campos magnéticos gerados pelo equipamento podem interferir no funcionamento desses dispositivos, representando um risco para o paciente.
Quais complicações a EMTr pode causar?
As complicações relacionadas à EMTr são raras. Não há evidências de que as aplicações possam causar danos neuronais ou lesões cerebrais. Seus efeitos colaterais mais comuns, como náuseas, cefaleia e mialgia, são leves, autolimitados e facilmente manejáveis com medicações sintomáticas. Além disso, os efeitos cognitivos temporários, como desorientação e prejuízo de memória, geralmente melhoram em poucas semanas após o término do tratamento.
Em nossa clínica, contamos com este tratamento avançado e inovador.
O procedimento nesta instituição segue as recomendações da Associação Brasileira de Psiquiatria, as normatizações do Conselho Federal de Medicina e
adota as boas práticas internacionais.
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